Papo com Mano Menezes: ‘Série B é projeto da vida do Timão’
Em alta, o técnico Mano Menezes teve a oportunidade de assumir um time de Série A nesta temporada, mas escolheu o desafio de comandar o conturbado Corinthians na Série B. Após quatro meses de trabalho, ele já conviveu com protestos e eliminação, mas agora curte o namoro com a torcida do Timão, que nos últimos dois jogos levou quase 100 mil pessoas ao Morumbi, contra Goiás e São Caetano pela Copa do Brasil.
Bastante sério, Mano não é muito de brincadeira. Arisco, ele sorri pouco e evita polêmica, embora muitas vezes deixe recados nas entrelinhas. Calejado pela conquista da Série B com o Grêmio, em 2005, ele tem a missão agora de fazer o Timão voltar à elite. Mas ao mesmo tempo está nas quartas-de-final da Copa do Brasil e com vantagem sobre o Azulão para ir às semifinais.
Nessa entrevista concedida na sala da assessoria de imprensa do clube, Mano fala sobre suas missões no Corinthians, da relação com a torcida, da experiência com o Grêmio e de rivalidade. O treinador, aliás, não vê o São Paulo como um rival tão forte como o Palmeiras.
Confira nas próximas linhas, então, o papo com o técnico Mano Menezes, que prepara o Timão para a estréia de sábado na Série B, contra o CRB, no Pacaembu.
A Série B continua sendo o projeto da sua vida?
MANO MENEZES: Eu acho que a Série B é o projeto da vida do Corinthians. Fomos nos preparando desde que iniciou a temporada. Não escondemos que essa era a prioridade do clube. A equipe foi se formando, sendo ajustada nos últimos detalhes, mas já passou a idéia para o nosso torcedor de que é uma equipe que pode fazer seu papel na segunda divisão.
O Corinthians está pronto para a dura disputa na segunda divisão?
MANO MENEZES: Está pronto para iniciar a competição, já tem uma equipe confiável. Mas vamos melhorar mais ainda para chegar ao ideal. Eu acredito que todos estão passando por esse processo. Fizemos algumas contratações que não podem jogar na Copa do Brasil e ainda estamos na competição. Para a Série B, a equipe vai passar por uma nova reestruturação e isso modifica muito o todo.
A equipe pode ser considerada favorita ao título da Série B?
MANO MENEZES: Ainda não existe favorito para a Série B. O Corinthians é um clube grande e vai ser atração em todos os jogos, vai criar uma motivação maior nos adversários, mas ainda não tem favorito. Só depois das primeiras rodadas é que vamos ter algum parâmetro para observação.
O Timão do Mano Menezes conseguiu conquistar a torcida?
MANO MENEZES: O torcedor viu dentro do campo nos últimos dois jogos um comprometimento grande dos jogadores. Cada clube tem a sua tradição, sua cultura com o torcedor e a do Corinthians é bem identificada. Conseguimos atingir o que o torcedor espera e isso aumenta a confiança de todo mundo.
A conquista que você teve com o Grêmio na Série B de 2005 foi sofrida. O torcedor do Corinthians pode esperar o mesmo?
MANO MENEZES: Eu espero que não seja sofrido como foi com o Grêmio. Até porque tem um sistema de disputa diferente. O quadrangular é muito perigoso. O Grêmio sempre esteve entre as equipes que iriam ao quadrangular. Depois sempre esteve entre as equipes que subiam. Chegou como líder na rodada final e poderia ter ficado fora. No sistema de disputa por pontos corridos é mais justo.
O Corinthians de 2008 é parecido com o Grêmio de 2005?
MANO MENEZES: Eu assumi as equipes em momentos diferentes. O Grêmio já tinha jogado um Estadual e não tinha chegado à final. Peguei o time e já era abril. A semelhança é que os dois clubes estavam desgastados em termos de credibilidade, vinham de um ano tumultuado. E nesse momento você tem de tomar cuidado com a equipe que vai montar. Precisa trazer jogadores que aguentem a pressão.
O que você tem de positivo e negativo da escola gaúcha de treinadores?
MANO MENEZES: Eu não acho que hoje exista uma escola de futebol muito diferenciada. Está tudo muito universal, você tem muita informação e todos acompanham a evolução. O que existe é uma diferença de comportamento, de cultura. Eu venho de um estado onde tudo foi conquistado com dificuldade, tem a influência dos europeus e se exige muito nas questões disciplinares. E a tendência é sempre dar mais certo assim. Ao mesmo tempo às vezes somos muito rígidos e isso pode atrapalhar.
A proporção que as coisas tomam no Corinthians te assusta?
MANO MENEZES: Não. O futebol hoje é um meio que você tem de tomar muito cuidado. Está tudo bem e daqui a cinco minutos você tem um problema para resolver. No caso do Corinthians isso é multiplicado por muitas vezes. Mas eu entendo que isso não interfere na rotina do time, porque tomo cuidado para não ultrapassar a linha.
Qual característica um time precisa ter para voltar à primeira divisão?
MANO MENEZES: Superação. Na Série B vamos encontrar muitas adversidades, muitos fatos diferentes da Série A. Você não pode achar um problema a cada situação criada. A superação faz com que você minimize os problemas. Só isso faz você atingir o objetivo.
Você viveu de perto uma das maiores rivalidades do Brasil, que é entre Inter e Grêmio. Vê algo parecido em São Paulo?
MANO MENEZES: A característica peculiar de Porto Alegre, e também de Belo Horizonte, é que só tem dois clubes grandes. Isso aumenta a rivalidade. Mas em São Paulo também existe uma rivalidade muito grande entre Corinthians e Palmeiras, Corinthians e Santos, São Paulo e Palmeiras, como vimos na semifinal do Estadual.
E Corinthians e São Paulo não têm rivalidade?
MANO MENEZES: Existe, sim, mas já é um pouco diferente.
Como assim?
MANO MENEZES: O diferente é difícil de explicar, mas você sente no ambiente. O torcedor do Corinthians, por exemplo, fica muito feliz com o insucesso do Palmeiras, mas não se preocupa com o insucesso do São Paulo. Acho que isso difere a rivalidade.
GloboEsporte.









