Kia isenta MSI de culpa no rebaixamento do Corinthians e ataca ex-presidente Dualib

Por: TDP  :  Categoria: Corinthians, Entrevista


RIO – Homem-forte da MSI, antiga parceria do Corinthians, Kia Joorabchian é apontado por muitos torcedores e membros da atual diretoria como um dos responsáveis pelo rebaixamento do time para a Série B. Ainda se dizendo corintiano, o empresário, que está em Londres, onde vive, concedeu entrevista ao GLOBO ONLINE, por e-mail, e não teve dúvidas ao isentar o fundo de investimento que representa de qualquer culpa no pior momento da história do Corinthians. Para Kia, a diretoria antiga, encabeçada pelo ex-presidente Alberto Dualib, é que deve ser crucificada pelo descenso.
Kia Joorabchian aponta ‘métodos arcaicos de administração’ da era Dualib como os grande problemas do clube, que desde a saída da MSI começou a afundar: primeiro com o afastamento dos craques que conquistaram o título do Campeonato Brasileiro de 2005. Depois, segundo Kia, pelas contratações ruins. O iraniano garante ainda que continuará torcendo pelo Corinthians e que está sofrendo com a situação atual, mas que em breve o Timão poderá se tornar o ‘maior clube do mundo’.

O GLOBO ONLINE – Onde você vive atualmente e como soube do rebaixamento do Corinthians? Depois da sua saída do Brasil, você continuou acompanhando os resultados da equipe? Acompanhou a última rodada do Brasileiro?

KIA - Estou de volta a Londres, onde vivi a maior parte de minha vida. Sim, acompanhei os resultados do time, assisti aos jogos que pude, alguns que passaram na Inglaterra, e os que não foram passados acompanhei pela Internet. Acompanhei a última rodada do Brasileirão e obviamente o rebaixamento do Corinthians me deixou com o coração partido.

O GLOBO ONLINE - Para muitos corintianos (torcedores e dirigentes), a culpa pelo rebaixamento é da parceria com a MSI, e você como representante da empresa no clube é citado como um dos responsáveis, junto com o ex-presidente Alberto Dualib e outros ex-integrantes da diretoria. O que acha disso? Qual a parcela de culpa da MSI no rebaixamento do Corinthians na sua opinião?

KIA -
O presidente Alberto Dualib e boa parte de sua diretoria não tratou a MSI como parceira. Enquanto nosso objetivo era, além de montar um grande time, criar condições de infraestrutura para modernizar, profissionalizar e promover o progresso do Corinthians, insistiam nos métodos arcaicos de administração. Tratavam o Corinthians como negócio familiar. Nunca concordei com isso. O embate foi constante, diário. Enquanto planejávamos o futuro, com gente competente, profissional, de visão nova, tínhamos de enfrentar a cada dia pessoas importantes no clube que pensavam como nos velhos tempos e andavam para trás.
No momento em que saímos, afastaram os maiores craques do time, criaram condições insuportáveis para que saíssem rapidamente, contrataram mal, tanto no campo como fora dele, e continuaram esbanjando. As jovens revelações foram vendidas, a preços que, segundo a imprensa, foram altos e as dívidas continuaram. Os jogadores que foram mal contratados não deram retorno, nem em futebol nem em transações, pois já não atraíam os interesses dos grandes clubes internacionais.
No último ano e meio, e o novo presidente Andrés Sanchez é testemunha disso, a diretoria deposta do Corinthians mexeu livremente com as finanças do clube, endividando-se com federações e bancos e, até onde eu pude saber, sem aprovação ou sequer conhecimento por parte da MSI. Isso também aconteceu durante meu período e contribuiu para minha saída, mas, de uns tempos para cá, a situação certamente se agravou. Acho que não é possível culpar qualquer parceiro que entre num clube e não tenha a autonomia pactuada em contrato para administrá-lo corretamente.

O GLOBO ONLINE - Por que a parceria não deu certo? Quando houve o rompimento MSI-Corinthians, você imaginava que o clube pudesse chegar ao fundo do poço tão rapidamente?

KIA - Eu não imaginava, nem nos piores cenários, que uma tragédia como essa, do rebaixamento, pudesse acontecer. Era uma coisa que para mim parecia impossível. Também não imaginava que tanto trabalho bem feito, tantos investimentos, tantos bons jogadores, tanto amor da torcida, que acabou me contagiando e me transformando num corintiano roxo, pudesse ser desperdiçado por má administração em pouco mais de um ano e meio. Foi um desastre. Sinto o coração partido. Sinto o coração partido por mim, pela torcida, pela atual diretoria, por jogadores abnegados, que tentaram fazer o que podiam. Corinthians é coração.

O GLOBO ONLINE - Como você imagina a participação do Corinthians na Série B? Qual sua sugestão para que o time consiga voltar já em 2009 para a primeira divisão? Você ainda se considera um torcedor corintiano, como se declarava em 2005, ou hoje em dia a situação do clube é indiferente?

KIA - Torcedor corintiano, claro. Uma vez Corinthians, sempre Corinthians. Mas, uma vez que a tragédia aconteceu, devemos procurar seu ponto positivo. A nova diretoria ganha condições de replanejar o clube, atenta ao passado, para não repetir os erros, atenta ao futuro, para que o Corinthians retorne à série A como um clube moderno, dinâmico, um exemplo de administração. Unindo-se torcida, diretoria, jogadores, o Corinthians é invencível, e voltará rapidamente à divisão principal do futebol brasileiro, uma etapa na sua transformação em um grande time global. O Corinthians pode ser o melhor do mundo, sim. E ainda nos dará imensas alegrias. Onde quer que eu esteja, estou torcendo por nosso time.

O Globo Online

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